Como fazer?

Às vezes eu acho que as crianças deveriam vir com manual de instruções.
É curioso eu estar afirmando isso num momento da minha vida em que penso tanto em ser mãe novamente.
Na última reunião da escola da minha pequena veio escrito no relatório que minha filha sabe lidar “parcialmente” com as diferenças de raça, cor, gênero e nível social. Isto me preocupou demais e eu ingenuamente pensava que não fosse ter este tipo de problema tendo em vista que a matriculei em uma escola pública.
Tudo começou quando no início deste ano um garoto cortou uma mecha dos cabelos dela em sala de aula. Ao me relatar o ocorrido ela se referia ao garoto como “sabe mamãe o “fulaninho de tal”, aquele menino escuro, foi ele que cortou meu cabelo”, imediatamente expliquei a ela que não era correto chamá-lo de escuro, escurinho, disse-lhe que ele era negro e pedi a ela que sempre que se referisse a alguém daquele tom de pele dissesse negro. Pois bem, ela passou a dar atenção demasiada a isto e passou a questionar o tom da pele das pessoas gerando algumas saias justas.
Expliquei-lhe com uma paciência franciscana que existem pessoas de todas as cores, brancas, mulatas, morenas, negras, japonesas e para exemplificar usei sua estante repleta de bonecas, umas diferentes das outras e disse-lhe que seria muito chato ter uma estante com todas as bonecas iguais, que aquela estante só era bonita daquele jeito por causa das diferenças entre suas bonecas e que no mundo era exatamente assim, que as pessoas são essencialmente diferentes e que é aí que mora a graça da vida.
Expliquei-lhe também que muitas vezes uma pessoa pode ser branca, de cabelinho loiro igual a ela e ser de temperamento diferente, tipo uma chata de galocha que não empresta os brinquedos, ou ainda uma criança que não valoriza a amizade e bate no amigo sem motivo.
Falei que muitas vezes aquele garoto negro pode ser o melhor amigo que ela terá na vida, que fará de tudo para ajudá-la quando ela precisar.
Mas como fazer para que uma criança de quatro anos compreenda que o que importa não é o tom da pele e sim o caráter e o sentimento da pessoa?
Mais uma saia justa, sobre um de meus inúmeros amigos gays ela disse: “esse seu amigo fala como uma menina, ele é menino ou menina mamãe?”
Eu pausei, engoli em seco e disse: “ele é uma pessoa, uma pessoa maravilhosa, um dos melhores amigos que a mamãe poderia ter na vida.”
Mas como fazer para que um filho compreenda que independente de tom da pele, de sexo ou posição social o que importa é o que a pessoa carrega na mente e no coração???
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