O valioso tempo dos maduros

Às vezes as palavras vêm de dentro para fora… Saem do coração ou da mente,  dessossegadas, afoitas, ávidas por serem escritas.

Quando isso acontece e se cria um texto, este pode ser para você aliviar o coração ou desanuviar a mente e corre-se o risco de tocarmos o coração de alguém, de gerar uma identificação, uma empatia.

Outras vezes a vida é tão corrida, tão repleta de atividades, tarefas e responsabilidades que por mais conteúdo que tenhamos não temos tempo hábil de elaborar um bom texto, então se arranja um tempinho para ler.

Quando isso acontece você pode ser atingido como que por um desastre, um livro pode construir desconstruindo, e palavras escritas por outrem podem sim calar o nosso coração, pacificar a nossa mente e realinhar nosso pensamento.

Segue um texto do Mário de Andrade que tocou-me demais no dia de hoje, agradeço a Madalena @fiodavida que me lembrou desta preciosidade. Os trechos em negrito parecem que me descrevem. Deleitem-se:

O Valioso tempo dos maduros

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.

Tenho muito mais passado do que futuro.

Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.

As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.

Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral.

‘As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa…

Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta comtriunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade,

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,

O essencial faz a vida valer a pena.

E para mim, basta o essencial!

Mario de Andrade (1893 – 1945)

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